Resenha: Imperfeitos, de Cecelia Ahern


Imperfeitos
Autora: Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Páginas: 319

Sinopse: Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, excluídos da comunidade, seres não merecedores de compaixão.  Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, é uma aluna excepcional, bem quista por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan. Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor.  Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita?  Nesta distopia deslumbrante, a autora best-seller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é primordial e quem cometer qualquer ato falho será punido. A história de uma jovem que decide tomar uma posição que poderá custar-lhe tudo.
Olá, leitores!
 É com o coração na mão e com emoções a flor da pele que lhes trago um livro, que sem sombra de dúvida, é um dos melhores livros que eu já li em toda a minha vida.
Preparem o lencinho, segurem a indignação e perceba que as nossas imperfeições são os que nos tornam únicos. Vamos conhecê-lo?
Primeiro, preciso falar sobre a capa, e como a Novo Conceito arrasou na diagramação e no desenho. A capa é linda e mágica, pois traz uma rede de significados, que, numa primeira vista, é apenas uma capa bonita, mas depois que o livro tenha sido lido, cada simples elemento é dono de uma rede de significados, o que eu achei fascinante. Parabéns, editora! 

Indo para a história, preciso falar de Celestine. Nossa amada personagem principal, vive numa sociedade que, após uma grave recessão, tem-se instaurado um Tribunal que julgará imperfeito aquele que cometa algum delito contra regras morais da sociedade. São cinco delitos que tem como punição cinco marcas, sendo elas gravadas na têmpora, na mão, na língua, no pé, na mão e no peito, em cima do coração. Esse tribunal é disposto de três juízes, sendo o mais importante deles o juiz Crevan, ou Bosco, como nossa Celestine chama carinhosamente, já que namora o seu filho, o irresistível e engraçado Art. 

Em sua vida tão perfeita quando a matemática que tanto ama, Celestine repudia completamente aqueles que são gravados como imperfeitos, que vivem de forma segregacionista o que lembra fatos históricos como a separação entre negros e brancos ocorrida no século passado, nos EUA, e também os guetos judeus, durante a segunda guerra mundial.

Quando Celestine vê uma pessoa acusada de ser imperfeita tão próxima a sua casa, ela começa a repensar em seus valores e se aquele sistema é realmente tão perfeito quanto pensa. Enfrentando contradições, preconceitos e várias conspirações, ela verá que o mundo não é tão perfeito quando ela imaginava e que aqueles que mais pregam isso estão longe de serem aquilo que todos imaginam.


  

Bem, esse livro, realmente, se tornou um dos meus livros favoritos. Apesar de trazer uma mesma premissa e mesma fórmula de Jogos Vorazes e Divergente, e tantos outros mil livros que usam o mesmo estilo de (garota adolescente de 17 anos + injustiça + sistema corrupto + derrubada de sistema + personagem masculino lindo + heroína salvando a todos), o que me surpreendeu nesse livro é que ele é o mais próximo da realidade e isso assusta. Pois, a sociedade continua existindo “normalmente”, com o governo atuando da mesma forma e, foi impossível não comparar diversas vezes com a atual situação brasileira. Tudo, exatamente tudo, me fez lembrar que, infelizmente, parecemos nos tornar cada vez mais próximos a essa sociedade tratada no livro. E isso é assustador.

Nas primeiras 40 páginas, eu odiei Celestine. Ela é completamente preconceituosa e tem pensamentos tão ridículos que me revoltaram tanto que eu tive vontade de entrar no livro só para brigar com ela.

Porém, é nesse momento que a mágica acontece.

A escritora encontrou uma forma brilhante de nos colocar dentro da cabeça de uma pessoa moldada por uma sociedade preconceituosa e segregacionista, que começa a mudar de acordo com as situações e quando ela é colocada do outro lado da moeda. Celestine se torna admirável e eu me apeguei tanto a essa personagem depois que ela mudou, que eu chorei com ela a ponto de soluçar. Eu ri, chorei, e, tive tanta raiva quando ela em alguns momentos, principalmente a respeito de outros personagens. Senti vontade de abraça-la e dizer que tudo ficaria bem, além de querer tirá-la das situações mais horríveis que ela acaba se envolvendo. Essa personagem sai de “mente fechada” para uma personagem completamente decidida e cheia de coragem, disposta a fazer tudo para se impor. Eu, definidamente, amei essa transformação e como ela amadurece no decorrer das páginas e dos acontecimentos.

Os outros personagens são bem únicos, com características visíveis em nossa sociedade real, além de grandes críticas a forma como a sociedade é vista e como tudo é questão de aparência. A família de Celestine é um dos meus conjuntos favoritos, pois sua mãe, apesar de sempre querer manter a aparência, é tão forte quando Celestine, e seu pai está sempre disposto a fazer tudo para que sua filha seja feliz. E tem sua irmã, Juniper, que devido a fatos do livro (não vou dar spoiler), ainda não me desce. Precisarei do segundo para conseguir mudar minha imagem dela, pois, como disse, me apeguei muito aos sentimentos de Celestine e realmente senti muitas coisas como ela.

Eu sinto vontade de falar tudo sobre esse livro, mas a mágica é realmente não falar nada. Eu realmente gostei da leitura fácil e da leveza pela qual a escritora anda com a história, que te faz mergulhar na história de cabeça. Eu acredito que vou ficar com uma ressaca literária desse livro por algumas semanas e estou até cogitando ler a sequência em inglês para saber o que vai acontecer.

Porém, eu preciso falar isso novamente. Esse livro tem a mesma fórmula de Jogos Vorazes e Divergente, apesar da personagem principal ter um começo completamente diferente, pois, no início, ela participa do sistema, ela é a favor do sistema, ela defende esse sistema com todas as garras e depois é que ela começa a ver brechas e falhas nessa lei que parece perfeita, principalmente quando é usada por esse mesmo sistema. Essa transformação da personagem principal, que sai de um lado para o outro é o diferencial nesse ramo de histórias revolucionárias. O perigo dessa história é se ela vai ter o mesmo rumo que tantas outras histórias de sociedade pós-destruição, pois, se tiver o mesmo rumo, será lastimável e essa história incrível se tornará apenas mais uma obra de adolescente revolucionária quebrando o sistema.

Outra coisa que me deixou um pouco com o pé atrás são os casais românticos. Eu não gosto muito como eles se desenrolam. Primeiro, a relação dela com o namorado me deixa um grande questionamento depois do desenrolar da história e outra coisa....


(ALERTA DE SPOILER, PULE PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO)


Em um momento, ela fica com fixação por um cara que só viu durante dois dias e, durante as descrições, dá para entender que ela sente alguma coisa por ele, mas eles só trocaram 10 palavras. E o namorado meio que “dá um perdido” nela, e ressurge do nada cobrando um monde de coisa.

(FIM DO SPOILER)


É como se os acontecimentos fossem desculpas para formar os casais, então, achei a situação que criaram um pouco forçada, porém, essa “imperfeição” da história funciona perfeitamente por causa da química que há entre os personagens que formam casais.

Claramente, o livro deixa brecha para uma sequência, e eu descobri que já tem a continuação em inglês. Isso me estimula, mas me deixa com medo. Aquela febre de livros revolucionários com adolescentes derrubando governos já deu o que tinha que dar. Foram tantos livros do mesmo jeito que tornou-se cansativo a mesma novela de derrubar o sistema. Apesar do conteúdo mais adulto, é possível ver alguns elementos bem adolescentes, mas são poucos, o que casou perfeitamente com a idade da protagonista.

É um livro muito bom, e eu estou louca para ler o segundo. A história é fascinante e tem um potencial incrível. Eu espero do fundo do meu coração que a história tenha o rumo próprio e não siga a mesma fórmula daquela febre de livros com adolescentes derrubando o sistema. Esse é outro diferencial da história, a forma como essas derrubadas de sistema funciona. No caso de Imperfeitos, o jogo de poder e como a relação entre contatos é feita para que o sistema seja mantido é fascinante. Aqui, temos mais uma questão de força política ser mais forte do que força física e isso é assustadoramente próximo da realidade. Mostra como a política do medo é muito mais aterrorizante e como só a menção de prisões sociais sejam mais claustrofóbicas e torturantes do que prisões físicas.


É um livro, mas um livro muito próximo da realidade

Imperfeitos te fará refletir e analisar a sociedade a sua volta, te fazendo pensar que, infelizmente, não estamos muito longe disso e que precisamos valorizar nossas imperfeições, e que são elas que nos fazem ser quem somos.

Bem, essa resenha ficou gigante, mas não consigo me conter. Espero que gostem e se emocionem tanto quanto eu ao ler essa incrível história. Prepare-se para se surpreender e derrubar algumas lágrimas, pois eu me surpreendi tanto, que precisei reler alguns trechos várias vezes para acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.


Um cheiro,
Thyaly Diniz

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