Resenha: Fera, de Brie Spangler

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Autora: Brie Spangler
Editora: Seguinte
Páginas: 384

Sinopse: Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos - ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.
Olá, pessoal!
Sou eu, Daniel, trazendo para vocês a resenha de um livro diferente de tudo que já li: Fera, de Brie Spangler.
Espero que gostem e se sintam tão curiosos quanto eu antes da leitura.
Vem comigo!


Fera vai nos contar a história de Dylan, um simpático garoto heterossexual cisgênero (ele se identifica com o gênero que lhe foi designado ao nascer) que não aceita seu físico. Dylan tem apenas 15 anos, mas é maior do que todos os outros garotos de sua escola, além de possuir uma grande quantidade de pelos por todo o corpo. Por conta disso, seus colegas o apelidaram de Fera. Ele não possui auto-estima alguma, e é muito solitário. O jovem tem um gênio forte, e vive tentando controlar seu nervosismo e sua impulsão, chegando a ter medo de si mesmo, mas seu único ''amigo'', JP, não parece lhe facilitar as coisas.



JP é um garoto de classe média alta que não hesita em chamá-lo pelo apelido de mau gosto que lhe colocaram. Ele é uma espécie de ''agiota'' da escola, ou seja, empresta dinheiro — o que possui em abundância — a outros garotos e depois lhes cobra o dobro do valor da dívida. E adivinhem só quem é o ''cobrador'' do playboy, a quem ele usa para ameaçar seus devedores: isso mesmo, Dylan, a Fera. De certa forma, nosso protagonista se vê dependente de JP, já que ele é o ''pegador'' e ''popular'' da escola. Dylan vê nele a única forma de companhia no ambiente colegial em que vive, seu único companheiro. Porém, está na cara do leitor que o playboy o vê apenas como um brutamontes no qual pode mandar e desmandar, mais alguém para sua lista de manipulados, e disfarça isso lhe presenteando com alguns objetos legais de vez em quando. Isso acontece desde que os dois se conheceram, na infância.

Além disso tudo, JP é um babaca preconceituoso, e Dylan, que vive seguindo seus passos e tentando ser como ele, sempre toma a forma de pensar do amigo para si. Ele acaba julgando as pessoas da mesma forma que elas o julgam. O jovem é brilhante em todas as matérias escolares e sempre tira as melhores notas da sala, mas todos o vêem e logo deduzem que ele, por ser mais corpulento, só pode ser um jogador de futebol americano.

Em um dia como qualquer outro, o playboy arma mais uma de suas brincadeiras idiotas para ver Dylan passando vergonha, e é aí que o jovem — segundo o próprio, narrador da história — se irrita, decide subir no telhado de casa e, ''sem querer'', escorrega lá de cima, quebrando uma das pernas. Para seu ortopedista, ele fala da rejeição que tem com o seu corpo, a fim de perguntar se há alguma cirurgia ou algo do tipo para parar de crescer. O médico, então, deduz que o garoto tentou se suicidar se jogando do telhado de casa e, conversando com sua mãe, que vive para o filho, decide mandá-lo a uma terapia em grupo.

É na terapia que ele conhece Jamie, uma garota de personalidade forte, muito bonita e amigável, apesar de suas doses de sarcasmo diário. Dylan logo se apaixona por Jamie, mesmo ela lhe tirando do sério algumas boas vezes, por estar sempre tentando fazer com que o garoto aceite a si mesmo. É dessa paixonite que nasce uma amizade muita bonita, onde os dois se sentem totalmente dependentes um do outro.

Tudo ia bem na relação do casal, até o jovem descobrir que sua grande paixão é, na verdade, uma garota transgênero, ou seja, que se identifica com o sexo oposto ao que lhe foi designado (ela já tinha lhe contado isso, porém num momento em que Dylan estava distraído). E é a partir daí que tudo começa a desmoronar. O preconceito — não só dele, mas também de sua mãe, de seus colegas, etc. — e o medo do que as outras pessoas irão pensar e comentar sobre sua relação com Jamie se tornarão grandes obstáculos para os dois. A jovem achava que Dylan a entendia e a aceitava do que jeito ela era, então, perceber que estava enganada irá machucá-la muito.


Bem, para começar, devo alertar que é preciso ter paciência na hora de ler Fera. Os personagens são muito bem construídos, da forma mais humana possível, e, por conta disso, cometem muitas burradas. Dessa forma, em alguns momentos você irá amá-los e em outros odiá-los. Isso se intensifica principalmente com Dylan, o grande destaque da história — e também narrador da mesma —, que na primeira metade do livro fala muitas — muitas mesmo — besteiras, mostrando-se um verdadeiro idiota preconceituoso, como eu já havia citado nessa resenha. Porém, aos poucos, vemos o personagem mudar totalmente sua forma de pensar quando se apaixona por Jamie. O amor dele por ela lhe tira a venda que a sociedade havia amarrado em seus olhos. Então, sejam pacientes, principalmente com nosso protagonista.

A baixa auto-estima de Dylan também pode incomodar, mas, infelizmente, essa é uma característica encontrada na maioria dos jovens hoje em dia, e, muitas vezes, acarreta em uma depressão, como ocorreu com o personagem. O livro, ou melhor, seu narrador, não se aprofunda muito nessa questão, o que é compreensível. Mas fiquem calmos: na maior parte das vezes, a dramaticidade do garoto é mais leve. Apenas em alguns momentos vemos ele perdendo o controle e nos proporcionando cenas mais fortes. Quem também não se sente bem com alguma característica de seu corpo provavelmente se identificará nesse problema que o garoto enfrenta.

Jamie, por sua vez, é totalmente o contrário de seu par. Ela sabe o quanto as pessoas a julgam por viver da forma que se sente bem e não esconder isso a ninguém, mas decidiu não aceitar o medo que a sociedade tenta lhe impôr. Ela não gosta de ser chamada de ''guerreira'', de ser defendida por outras pessoas ou coisa do tipo. Jamie simplesmente quer viver como qualquer outra jovem de sua idade e se esforça bastante nisso. Porém, às vezes, a realidade consegue intimidá-la, fazendo com que seus medos interiores aflorem. Nesses momentos, ela se sente frágil e acaba se automutilando — fato que levou a garota à terapia. 


O pai da jovem é citado na história, mas não aparece de fato nela. Já a mãe se preocupa muito com a filha e com a decisão que a mesma tomou. É algo compreensível diante das notícias que vemos todos os dias na televisão de transgêneros sendo agredidos e, muitas vezes, assassinados. 

A mãe de Dylan, que é viúva e vê no filho o retrato de seu falecido marido — de fato os dois são bem parecidos fisicamente —, vítima do câncer, também se sente assim. Sua preocupação com o filho acaba transformando-se em preconceito, e somente depois de um bom tempo, após perceber que ele estava totalmente apaixonado por Jamie, seu instinto fala mais alto, fazendo com que a mulher de meia-idade se esforce ao máximo para entender e aceitar a jovem e, claro, apoiar o filho em suas decisões. Ela é uma fofa, talvez uma das minhas personagens preferidas. Mas adivinhem: também precisamos ter paciência com ela (risos).

Os sentimentos de Dylan em relação ao pai mudam muito ao decorrer do livro, principalmente por conta do menino, a partir de certo ponto, ver no falecido uma espécie de ouvinte. Devo admitir que, apesar de ser algo tocante, muitas vezes o garoto tem umas atitudes bem estranhas em relação ao pai, como se pusesse nele a culpa de suas idiotices, e isso também me estressou.

JP, o único ''amigo'' de Dylan, como eu já disse, é um babaca completo, manipulador e mentiroso. Ele tem uns problemas em casa com a mãe alcoólatra e o pai ausente, mas acho que isso não justifica as besteiras que ele faz. Até mesmo em alguns momentos onde ele tenta ser legal, JP não conseguiu me convencer. É um dos personagens mais chatos que eu já li, com certeza.


A escrita da autora é uma delícia e a narração do Dylan é bem interessante. No livro, o foco não fica por conta dos problemas que o garoto tem com seu corpo, muito menos com o fato de Jamie ser transgênero, e sim com as diferenças no geral, com os preconceitos e os julgamentos que temos/fazemos sem nem percebermos. Apesar disso, claro que a segunda situação toma grande destaque, o que é extremamente positivo nos dias de hoje. Precisamos de representatividade mais do que nunca, e aqui ela está presente de forma bastante natural.

Então, gente, é isso. O livro é muito bom, principalmente por conta das mensagens que transmite ao leitor. Aqui, percebemos que o importante em uma pessoa é o que está em seu interior, e não no exterior, como vemos no quote acima. Também aprendemos que o amor pode cegar uma pessoa, mas, muitas vezes, também pode fazê-la enxergar.

Recomendado!


E aí, curtiram a resenha? Já leram Fera ou, se não leram, sentiram-se interessados pelo livro? Me contem nos comentários, vou adorar ler todos.

Abraços e até a próxima. ;)

19 comentários

  1. Olá
    Confesso que sou apaixonada por essa capa e não vejo a hora de fazer essa leitura também. Suas impressões me deixaram muito motivada, mas também já tinha lido ótimos comentários a respeito da narração e desenvolvimento. Gostei muito dos seus comentários dos personagens, acho que compreendi novos elementos e isso me deixou ainda mais animada para ter meu exemplar em mãos logo.
    Beijos, F

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  2. Oi.
    Achei a proposta do livro em abordar temas diferentes bem legal, mesmo que não seja o foco.
    Realmente a capa é maravilhosa.
    Beijo


    Te Conto Poesia ♥

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  3. A premissa deste livro é maravilhosa e acho que extremamente pertinente aos dias de hoje, onde precisamos tanto de representatividade em nossa literatura. Espero ter a oportunidade de ler o livro o mais rápido possível.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  4. Oi oi!!!
    Nossa, acho que era a única pessoa que não tinha lido uma resenha desse livro ainda (e se li não me lembrava). Amei essa capa, e achei a proposta do livro muito interessante. Acho que a autora soube abordar um assunto muito importante de um jeito muito fofo. Mesmo não lendo livros com essa temática, vou dar uma chance e ler em breve.

    Bjoss, Enjoy Books

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  5. Meus Deuses!!!!!! Como eu nunca ouvi falar nesse livro antes? Quer dizer, eu até acho que já ouvi falar, tipo de nome ou algo assim, mas eu não fazia I-D-E-I-A da história e já me atraiu desde o começo. Confesso que eu tenho 100% de certeza que vou me irritar muito com esse Dylan e o JP, mas eu adorei a história, tudo nela! Ainda mais ler sobre uma personagem trans! Eu adoro poder ler livros bons LGBT. Ainda mais por fazer parte da comunidade e ter amigos que fazem parte, e em especial um(a) amigo(a) que não se identifica com os gêneros binários.
    Concordo plenamente sobre o que disse sobre representatividade. É sim muito importante até para quem não passa por isso na pele, mas pelos seus conhecidos e por vivermos juntos também <3
    Adorei a resenha, ótimo texto e obrigadíssima pela dica! :D
    Beijos,
    As Meninas Que Leem Livros~

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  6. Oi Daniel,
    quero muito ler esse livro. Nuca li nada que tivesse uma personagem transgênero e adoraria poder conferir de pertinho as questões abordadas em uma trama como essa. Já estou preparada para odiar o amigo do protagonista pois todas as resenhas que li foram unânimes com relação ao alto nível de babaquice do personagem. Já faz um tempinho que quero entrar na literatura LGBT, mas só recentemente consegui ler uma obra que abordava a relação homoafetiva, e confesso que gostaria de ler mais a respeito, não apenas por curiosidade mas também pelo conhecimento, afinal somos a maioria ignorantes com relação ao assunto. Eu pelo menos me considero assim, apesar disso respeito incondicionalmente, mesmo sem entender muito bem.

    Beijos!

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  7. Olá, tudo bem?
    Ainda não li o livro, mas gostei muito da sua resenha, que por sinal está rica em detalhes.
    Por ser um livro LGBT, fico ainda mais curiosa, pois os livros desse gênero estão ganhando mais espaço no mundo da literatura.
    Um beijo.

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  8. Oie! Tudo bem?

    Eu já li várias resenhas positivas sobre essa obra, mas infelizmente o gênero não chama a minha atenção, mas indicarei ele para uma amiga essa sei com certeza que irá gostar da trama criada pela autora!

    Bjss

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  9. Olá!
    Eu até estava empolgado para ler o livro, mas quando você mencionou que ele é um pouco idiota pode-se dizer no início do livro já me deixou com um pé atrás da orelha, é muito chato livros com personagens chatos ou que só falam bobagem, mas eu ainda vou arriscar ler o livro.
    Abraços
    Dicas Literárias

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  10. Hey, tudo bem?
    Muitos que tem lido esse livro tem dito que é preciso ter paciência para lê-lo. Acho a premissa dele muito interessante, mesmo porque nunca li nenhum livro com personagens transgêneros e fiquei muito contente por eles serem bem construídos. Acho que a autora soube trabalhar bem a trama e espero curtir, já que meu exemplar está para chegar.
    Beijos

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  11. Oie, tudo bem?
    Eu adorei a idéia desse livro! A capa está perfeita, e o romance diferente assim, entre duas pessoas que normalmente seriam rejeitadas pela sociedade, me encantou de uma forma única! Mal posso esperar para conferir!

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  12. Olá!

    A capa desse livro é muito incrível e eu o compraria só por ela. hahaha
    Eu já li uma resenha desse livro há um tempo, mas não me lembrava tanto da trama. Ainda bem que tive a oportunidade de ler a sua resenha e me relembrar da existência desse livro e do quanto eu estava querendo lê-lo. Seus comentários me deixaram ainda mais curiosa. Super obrigada pela dica!

    Ingrid Cristina
    Plataforma 9 3/4

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  13. Olá, Daniel

    Eu quase solicitei o livro, mas tô tão atolada de leitura que preferi esperar.
    Eu acho a proposta desse livro maravilhosa e com certeza lerei. Gostei bastante da sua resenha porque você deu uma boa visão geral sobre a história. Achei bem louco isso da mão dele enxergar o marido no filho, mas acontece bastante.
    O que mais me chama a atenção e a interação entre os dois personagens principais e estou bem animada quanto a isto!

    Beijos

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  14. Olá, tudo bem?
    Eu estou bastante curiosa para ler esse livro por causa da capa, confesso kkk. Mas achei a premissa muito interessante também. Aliás, apesar de estar vendo muitas releituras de A Bela e a Fera ultimamente, essa é de longe a mais original que vi até agora.
    Adorei ler sua resenha e saber mais sobre os personagens. Em especial, fiquei feliz de saber que eles são muito humanos e bem construídos. Apesar de você dizer que eles podem irritar em alguns momentos, acho que essa humanidade deles enriquece a história.
    Achei sua resenha muito boa e completa, e a dica já está anotada.
    Beijos!

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  15. Fiquei muito curiosa, nunca li nada do gênero e esse parece ótimo <3 gostei de saber que as personagens são bastante humanas, apesar de suas burradas e tudo mais hahaha.

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  16. Oie!
    Eu já li o livro e gostei da trama. Foi o primeiro livro que li sobre o tema, e gostei de como a autora conduziu a história. Foi de extrema delicadeza, ao mesmo tempo, mostrou o quanto ainda somos preconceituoso. Foi um ótimo livro.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  17. Oi, tudo bem?
    Eu já li alguns comentários sobre essa obra e fiquei bem curiosa com a história, pois o livro tem uma premissa bem bacana e traz um protagonista que parece ser bem cativante. Além disso, os assuntos abordados na história são bem interessantes, gosto de livros que falem sobre o preconceito e transexualidade. Enfim, gostei muito da sua resenha e espero gostar da obra também quando a ler.

    Beijos :*

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  18. Olá!
    Achei super interessante o tema abordado pela obra, ainda mais ser tão explícito assim esse preconceito com pessoas transgêneros. Dá para ver que de fato a narrativa é muito bem construída, além de os personagens serem bem reais, e isso me chamou muito a atenção para a leitura. Achei sensacional um livro abordar esse tema de maneira tão real, e estou bem curiosa para conferir também.
    Beijos.

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  19. Olá!
    Essa é a segunda resenha que leio sobre esse livro, e tenho mais certeza que preciso ler, esse é um tema bem diferente do que leio, mas acho que vou adorar.
    Parabéns pela resenha.

    Beijos
    Leitora Dramática

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