Resenha: O Amor está no Ar

O Amor está no Ar


Autora: Jennifer Echols
Editora: Pandorga
Páginas: 398
Sinopse: Aluna do ensino médio, Leah Jones ama voar. No ar, ela facilmente se esquece de sua vida com sua mãe, sempre ausente, no bairro humilde de uma cidade praiana de Carolina do Sul. Quando seu instrutor de voo, Sr. Hall, contrata a garota para pilotar aviões em sua empresa de propagandas em banner, Leah considera o emprego sua porta de entrada para a vida longe do estacionamento de trailers. Mas quando ele morre subitamente, ela teme que sua carreira como piloto de aviões tenha chegado ao fim.
Porém os jovens filhos do Sr. Halls, Alec, o garoto de ouro, e Grayson, o viciado em adrenalina, resolvem continuar o negócio do pai. Embora Leah tenha uma queda pro Grayson há anos, ela receia em se envolver em um negócio que agora parece que não vai muito longe. Até que Grayson descobre um dos piores segredos da menina. Com isso em mãos, ele a obriga a pilotar por uma razão que ele também não revela, uma razão relacionada a Alec. Agora Leah se encontra no meio de uma batalha entre irmãos, e a consequências podem ser desastrosas.

É o terceiro livro da autora Echols que leio, então comecei a leitura de O Amor está no Ar com muuuuito receio porque ultimo o livro que li da autora (Love Story) foi péssimo (péssimo personagens) e queria muito que esse novo livro da autora, aqui no Brasil, compensasse o erro da leitura anterior e deu certo!

Leah desde pequena soube se virar sozinha, pela ausência da mãe. E com 14 anos ela e a mãe vão morar num trailer ao lado de um aeroporto (favor não imaginar um aeroporto de Guarulhos ou outro Internacional, é um aeroporto simples e de cidade pequena) onde se utiliza aviões para propagandas na praia. E esse mundo acima do chão chama a atenção de Leah, ela decide juntar dinheiro escondido da mãe (porque senão ela poderia pegar o dinheiro e ir gastar em cassinos) pra ter uma única aula de voo. Leah consegue sua primeira aula e de quebra um pequeno emprego do aeroporto e mais aulas gratuitas com o Sr. Hall, dono do aeroporto.

Até ai nenhum problema... Okay, tirando a ausência da mãe de Leah e a pobreza dela em relação as outras crianças da sua idade. Ela cresce trabalhando no aeroporto sem que sua mãe saiba, até porque a mulher é mais ausente do que sei lá o que, podendo economizar dinheiro para tirar um outro certificado importante de aviação. Só que uma tragédia atinge Leah, o Sr. Hall morre deixando o aeroporto na mão dos seus filhos Grayson e Alec.

Alec é o filho bonzinho e certinho. Grayson é ao contrário, cheio de energia e audacioso, ambos sabem pilotar mas os dois não querem o mesmo para o futuro. Grayson agora administra o aeroporto, que não seria ruim pra Leah... Se ele não tivesse a chantageado para sair com Alec e fazer com que ele se apaixonasse por ela, só que Leah tem uma quedinha pelo Grayson desde mais jovem, comofaz? Não sabemos o motivo de cara do Grayson, mas quando é relevado é de partir o coração pela atitude altruísta de Grayson.

Leah tem que continuar a trabalhar no aeroporto do Sr. Hall, lidar com o luto, porque o Sr. Hall foi como um pai pra Leah. No primeiro capítulo fica bem claro que a relação deles dois foi como pai e filha, ela tem lembranças dele da mesma forma que Grayson e Alec tem. E aturar o sensual do Grayson jogando ela pro irmão, seria de buenas, mas Grayson demonstra interesse pela Leah, daquele jeito desleixado mas demonstra ~abana~. Grayson e Leah tem uma química incrível mesmo não juntos, os dois são meio "Ah dane-se" mas no fundo se importam e isso doí.

Leah é uma personagem difícil, ela não teve pais de verdade, uma mãe ausente e um pai que ela não sabe quem é... Tirando o Sr. Hall, que foi o mais próximo de pai que ela pode conhecer. Ela não é uma personagem que confia muito em "boas atitudes de pessoas". Pegando como exemplo a melhor amiga dela Molly, que é rica, é amiga das populares mas ao mesmo tempo é amiga de Leah, "a garota que mora num trailer e que quase não tem comida na sua geladeira". Leah vê a amizade de Molly como caridade, é algo bem ruim de se pensar sobre sua possível melhor amiga pois Molly se mostra uma amiga agradável, mas não posso culpar Leah de pensar isso, a garota tem problema familiar, se nem a mãe dela faz coisas boas por ela sem ter uma segunda intenção, imagine outras pessoas que nem tem nenhum tipo de parentesco com ela? Leah é seca e grossa, pra falar o português claro, isso faz com que ela seja minha personagem favorita HUAEHUAEHAE. Esse trauma de "Eu, Leah, sou o bichinho abandonado que Molly cuida e ama" tá presente durante toda a narrativa, é algo complicado e que pela primeira vez vejo num livro de forma bem explícita. E nessa amizade a autora aproveita o gancho e discuti sobre as diferenças de classes.

O Amor está no Ar foi uma leitura fantástica e espero que a Echols não me decepcione mais. Ela construiu personagens com bagagens, uns com mais que outros, mas construiu e conseguiu com que eu me desse bem com eles, não os achando um bando de idiotas ou superficiais. Mas tive um pequeno problema na leitura por conta da tradução (acho), porque as vezes eu me via perdida em algumas frases que não faziam sentido, então Pandorga, favor dar mais atenção a isso.

Indico a leitura pra quem gosta de um livro com bagagem emocional e um gostoso romance. Não será fácil entender a Leah, porque você não está na realidade dela, mas faça um esforço, verá que ela é forte e tem seus motivos pra ser uma pessoa um pouco rabugenta mas ao mesmo tempo amorosa.

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