Resenha: Dois Garotos se Beijando

Cortesia da Editora
Dois Garotos se Beijando 


Autor: David Levithan
Editora: Galera
Páginas: 224

Sinopse: Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.

Dois Garotos se Beijando foi o meu primeiro contato com o autor David Levithan e foi uma bela surpresa que a Galera me fez. Comecei a leitura despretensiosa do que eu poderia esperar, do tipo de escrita que o Levithan iria usar e de como ele iria desenvolver a história. E que maravilha de livro foi esse? Primeiro de tudo quero deixar bem claro que eu - Nathália - sou militante pela igualdade da mulher na sociedade (feminista) e igualdade entre o grupo LGBT (lésbica, gay, bi e trans*) na sociedade. E finalmente tive a oportunidade de ler um enredo com a temática LGBT que tenha me feito rir e ao mesmo tempo me deixou bem emocionada pela forma que o Levithan trouxe a tona as discussões. E cara, nada mais justo postar essa resenha hoje, dia 25 de Março que é o dia do Orgulho LGBT!
"Sabemos que alguns de vocês ainda setem medo.Sabemos que alguns de vocês ainda estão em silêncio. Só porque está melhor agora não quer dizer que é sempre."
Narrado em terceira pessoa, temos um primeiro contato com os ex-namorados, Harry e Craig, que decidem juntos que vão quebrar o record do beijo mais longo de todos os tempos. Depois somos levados a um baile gay, onde conhecemos Ryan e Avery. E por fim conhecemos Cooper, um garoto que ainda não assumiu para os pais e que passa a maior parte do seu tempo na internet conversando com vários homens, sem que nenhum deles possa ser um amigo de verdade de Cooper.

O livro não é divido em capítulos e ele não é longo temporalmente falando, então as três histórias estão acontecendo ao mesmo tempo. Como disse no começo, foi o meu primeiro contato com a escrita do Levithan e não será a última. Dois Garotos se Beijando foi escrito de uma forma que me arrebatou, ele narra como se estivesse falando comigo, a leitora, mesmo que eu não faça parte do grupo LGBT. Levithan teve a capacidade de me comover com palavras e frases simples, com metáforas simples, mas que me destruiu.
"Porque sua família não sabia e não podia saber. Eles não dariam uma surra nele. Não quebrariam suas costelas. Ele sabia disso. Mas tinham outras formas de quebrá-lo: com silêncio, com decepção, com reprovação."
Enquanto caminhamos entre as histórias conhecemos mais Harry e Craig, o motivo deles quererem quebrar esse record do beijo mais longo. Descobrimos o passado de Avery e a relação conturbada que Cooper tem com os pais. Num primeiro momento o livro não tem um cunho dramático e nem exagerado, são pessoas somente, são pessoas que estão quebrando um record do beijo, são pessoas que estão se apaixonando e são pessoas que estão sofrendo. Nada disso é novidade e o David faz isso muito bem na sua escrita. Mas da metade pro final, eu como leitora, não sabia mais o que pensar e como proceder, porque eu não queria que o livro acabasse nunca e quando acabou pareceu que estava faltando um pedaço de mim. E o pior/melhor de tudo é que Levithan se baseou em fatos reais para escrever Dois Garotos se Beijando, as coisas que aconteceram com os personagens aconteceu de verdade com alguns garotos de uma Universidade.

Sobre a edição, confesso que tinha achado o título muito "zoado", até porque eu nem fui atrás de saber sobre o que se tratava realmente o livro e felizmente esse título faz todo o sentido :P
Já a capa, que teve grande rebuliço, muitos leitores/blogueiros não gostaram tanto, fiquei bem neutra na hora... Mas olhando agora, gostei pra caramba.

Indico esse livro para todxs, de coração. Dois Garotos se Beijando vai além de "dois garotos se beijando", você conhece "dois garotos se apaixonando", "dois garotos sendo oprimidos". Levithan com o livro também quer mostrar aos leitores pequenas atitudes corriqueiras em relação ao grupo LGBT que são consideradas preconceituosas e homofóbicas (exemplo: pais censuram a filha mais nova de escutar que o irmão mais velho tem um namorado, mas não censuram da filha assistir noticiários que só trazem notícias sangrentas). Espero que todxs deem uma oportunidade a esse livro sensacional <3
"Avery sabe que deveria colocar música, fazer as vozes desaparecerem. Mas nenhum de nós consegue parar de ouvir. Porque o que é mais hipnotizante do que o som de pessoas odiando você?"

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