#PHpoemaday - 100 anos de solidão

100 anos de solidão... Tá não foi 100 anos de solidão.
Chuto que foram 20 anos, tá bom pra quem tem 25 anos e não está mais sozinha.

Sou Clara, uma mulher bem feliz com a minha vida.
Nasci sozinha, porque minha mãe faleceu no meu parto e meu pai fugiu - acredito que ele não queria criar a sua filha, a filha causadora da morte da mulher que ele mais amou... acho, suponho, acredito mas não me rumino com esse pensamento.

Morei num único orfanato e nunca fui adotada, não sei porque ao certo. Mas tia Tereza sempre falava que era um erro eu ainda estar sem família, mas eu não me importava na verdade. Cresci no meio de muitas crianças e com os mesmo adultos por 18 anos, eu ia a escola e tudo mais.

Minha vida foi normal, sem traumas ou terapias. Eu sabia que meus pais não voltariam mas sempre fiz as coisas pensando neles. As coisas boas e quando fazia as coisas ruins, pedia desculpa ao invisível.

Não sei se foi sorte ou sei lá o que, só sei que fui uma garota feliz no orfanato que cresci, ele tinha suas precariedades mas mesmo assim era o meu lar. Já sabia que o mundo não seria fácil pra mim quando completasse os tão desejados 18 anos (para a grande maioria dos jovens), mas eu não, nunca desejei que os meus 18 chegasse tão rápido.

E lá estava eu, numa fila vendo o meu nome na lista de chamada de uma das faculdades mais bem conceituadas do Estado de São Paulo, vi o meu nome e chorei. Eu tinha passado no curso que tanto queria. História.

Escolhi História porque talvez quisesse recompensar a falta da minha história, quem eram os meus pais e onde estaria o resto da minha família.

Nesse dia, conheci Lincon, ele estava pulando de felicidade por ter passado também em História. Mas só fui conversar com ele no primeiro dia de aula da faculdade, contei a ele que tinha visto sua comemoração e ele ficou envergonhado mas deu uma gargalhada, a mais gostosa que já tinha ouvido.

Primeiro semestre da faculdade fluiu, aprendi muita coisa e fiz muitos trabalhos (todos em dupla, com o Lincon), ele já sabia da minha história (a que eu sabia) e eu já estava o decifrando, ele não era muito de contar coisas de si, mas eu o admiro, ele era fácil de se conversar e ficar a vontade. Já no segundo semestre, depois de uma férias de 30 dias sem vê-lo todo santo dia, sem trocar palavras com ele pessoalmente, vi que a solidão tinha me pego.

No primeiro dia do segundo semestre de História eu só lembro de ter corrido para os braços de Lincon e sorri, sorri muito e ele me beijou.

#PHpoemaday
Texto de minha autoria para o Desafio de Escrita do blog Central da Leitura, não pode ser plagiado/copiado/divulgado sem minha autorização.

Um comentário

  1. Adorei o texto. Simples, mas belo. Além disso, nos faz pensar sobre a necessidade de companhia humana. Por mais que queremos fugir, somos seres sociáveis e precisamos de companhia.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de junho

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